Por que é tão difícil falar sobre Direitos Humanos no Brasil?

O Brasil foi o último país da América a abolir a escravidão. A medida não veio acompanhada de mecanismos de reinserção dos negros na sociedade. Como resultado, um grande número de ex-escravos foram submetidos a condições desumanas de trabalho e de vida. O que se reflete no que vemos até hoje nos subúrbios e comunidades.

Sem dúvida que o “legado” da escravidão é uma das principais marcas da sempre presente desigualdade social de nosso país. Mas não é só isso. O Brasil já nasceu marcado pela perseguição a seus primeiros habitantes, os índios. Que seguem lutando por sua terra e seus costumes.

Podemos também falar das mulheres. Por séculos a mulher brasileira sempre foi relegada ao papel de dona de casa, sem nenhuma voz social. Em uma sociedade extremamente patriarcal e machista, falar em “feminismo” muitas vezes é visto quase como um xingamento. Inclusive entre as próprias mulheres, que custam a entender o verdadeiro significado do termo.

Além disso, poderíamos citar inúmeros outros grupos sociais alvo de intensa discriminação em nossa sociedade: homossexuais, pessoas com deficiência, idosos, etc. O processo histórico explica como por séculos todos sofreram com preconceitos e barreiras para o exercício de mínimos direitos.

Só que no momento atual as pessoas estão muito mais conscientes de seu valor. E da dignidade que a todos deve ser garantida. Por isso, cada vez mais, se expressam e lutam para estabelecer sua voz como lugar de fala. E isso incomoda, é claro. Incomoda aos que sempre foram privilegiados por esse sistema excludente historicamente construído no Brasil e tem todo interesse em mantê-lo.

Eles então se organizam em movimentos que tentam a todo custo sufocar essas várias vozes. Geram polêmicas contra exposições, palestras, ativistas, etc. Tudo aquilo que possa servir como ameaça a perpetuação da ideologia discriminatória do país. Afinal, quem não deve, não teme. Mas também vale o inverso.

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