Era Nina, virou Alice

Era apenas uma (me)nina recatada em busca de sonhos infantis. Queria um amor como nas Sem Razões do Amor de Drummond ou nas novelas. Um emprego estável. Talvez até filhos. Queria um final feliz.

O que ela desejava era a solidez das paredes. Duras. Uma vida sem movimento. Só que um dia as paredes começaram a ruir. E não foi devagar. Elas desabaram!

Nina não teve muito tempo pra reagir. Saiu com a roupa do corpo. Era a própria vida ou nada. Então ela descobriu o que realmente importava: seu corpo, sua sobrevivência e seus desejos mais básicos.

Ela estava ali dentro. Vivendo sua vidinha simples. Emparedada, enquadrada. Verdadeiro modelo de perfeição. Mas quando saiu em meio ao desastre, mudou. Era Nina, virou Alice. Questão de sobrevivência e não de escolha.

Alice era o inverso. Era água que saía pelas canos daquela construção. Esse foi o jeito que Nina conseguiu encontrar para fugir. Se desmaterializou. Virou água, ou lama, ou pó. Foi como um lagarta que vira borboleta. Nasceu então: Alice!

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